POESIA CONCRETA TEÓRICA
Como é frequente que nos empenhemos tanto em olhar que
esquecemos a beleza do toque. E a pele ressente e seca. Com a ambição do toque
esperamos completar aquilo que à vista faltou e nos vemos tristemente abraçados
ao final a um tronco de madeira oco e decrépito, em cujas fissuras já se começa
a perceber os vermes vindicantes. Não isso. Mas falo daquele outro
tato,
descompromissadamente comprometido.
Aquele que não
devora; palpita e flutua e parece reunir as bordas e os limites dos membros,
entrelaçá-los sem permitir jamais que se confundam. As reentrâncias permanecem
reentrâncias, as saliências permanecem as mesmas. Mas o espírito desliza
calmamente, flutuando sobre as águas. Não há temor, como não haverá tédio, “nem
angústia e sofrimento. E nem haverá dor, porque a esse ponto todas essas coisas já
terão passado”.
E
logo abaixo dessas perenes inscrições cavadas em pedra, liam-se as linhas
seguintes:
CARALHO MANV, ISSV EH TETRIS
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