sexta-feira, 20 de dezembro de 2013


POESIA CONCRETA TEÓRICA




Como é frequente que nos empenhemos tanto em olhar que esquecemos a beleza do toque. E a pele ressente e seca. Com a ambição do toque esperamos completar aquilo que à vista faltou e nos vemos tristemente abraçados ao final a um tronco de madeira oco e decrépito, em cujas fissuras já se começa a perceber os vermes vindicantes. Não isso.                            Mas falo daquele outro
     tato, descompromissadamente comprometido.
   Aquele que não devora; palpita e flutua e parece reunir as bordas e os limites dos membros, entrelaçá-los sem permitir jamais que se confundam. As reentrâncias permanecem reentrâncias, as saliências permanecem as mesmas. Mas o espírito desliza calmamente, flutuando sobre as águas. Não há temor, como não haverá tédio, “nem angústia e sofrimento. E nem haverá dor, porque a esse ponto todas essas coisas já terão passado”.
E  logo abaixo dessas perenes inscrições cavadas em pedra, liam-se as linhas seguintes:

CARALHO MANV, ISSV EH TETRIS



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